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sábado, 14 de agosto de 2010

Morreu Bruno "Stroszek"

Bruno em A Canção de Bruno S.

O actor Bruno Schleinstein faleceu ontem a 11 de Agosto de 2010. Actor não profissional cuja vida miserável serviu de inspiração à personagem que Herzog criou para o filme A Canção de Bruno S. (1977), que conta a história de um desgraçado alemão que parte para os Estados Unidos da América em busca de melhores condições de vida…


Espero que Bruno S, um homem que admiro imenso, consiga encontrar na morte a paz que nunca teve em vida. Durante a sua infância, Bruno, era constantemente espancado e vivia em instituições para doentes mentais. Era um músico autodidacta que tocava em vários sítios para ganhar algum dinheiro. Depois de ser visto por Werner Herzog no documentário sobre os músicos de rua de Berlim Bruno der Schwarze – Es blies ein Jäger wohl in sein Horn, realizado por Lutz Eisholz em 1970, a sua vida iria mudar. Herzog, sempre interessado em pessoas que vivem em condições de vida fora do normal, decidiu contratá-lo para representar Kasper Hauser, um personagem semelhante a Bruno S, visto ser um adulto que, em criança, vivera afastado do mundo “real”. O facto de Bruno S não ter nenhuma experiência como actor não foi entrave para a sua contratação. A segunda colaboração de Schleinstein com o cineasta resultou num dos melhores filmes de todos os tempos: A Canção de Bruno S. Filme cujo argumento fora escrito em 4 dias especialmente para Bruno S. Esta obra-prima do cinema é muito biográfica e retrata claramente a vida de Bruno Schleinstein. Herzog é muitas vezes acusado de ter explorado o homem, mas o que é certo é que o resultado final foi espantoso.

Bruno Schleinstein em O Enigma de Kasper Hauser


Uma coisa muito interessante que Bruno S dizia era que ele transmitia as suas canções, não as cantava.

Aqui http://www.youtube.com/watch?v=PcRlZlD4nUg pode ser visto um excerto do filme A Canção de Bruno S. Neste fragmento de filme pode-se ver a habilidade que Bruno tinha para tocar Glockenspiel.

Mais informações sobre Bruno S http://thethoughtexperiment.wordpress.com/2010/08/11/rip-bruno-schleinstein-bruno-s/

Uma galeria com desenhos de Schleinstein: http://www.no-art.info/bruno_s/drawings.html

Esperando que Bruno Schleinstein nunca caia no loch der vergessenheit (fosso do esquecimento)…

R.I.P. Bruno “Stroszek”

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Mestres do Cinema

Embora o meu conhecimento sobre cinema seja muito pouco vasto...já vi muitos filmes, e considero-me fã, dos seguintes realizadores:

-Stanley Kubrick, do qual vi toda a obra a partir de "Um Roubo no Hipódromo". Acho-o um génio do cinema...sem dúvida o realizador cujo estilo mais admiro. Tinha uma visão do mundo muito pessimista, relativamente parecida com a minha...Realizou o meu filme preferido, "2001: A Odisseia no Espaço", uma obra que quebra todas as barreiras do cinema...Kubrick tem muitos outros filmes de cotação máxima: "Laranja Mecânica", "Dr. Estranho Amor", "The Shining", "De Olhos Bem Fechados", "Barry Lyndon", "Horizontes de Glória". Trata-se, sem dúvida de um dos grandes Mestres do Cinema...

-Werner Herzog. Este é o realizador de que gosto mais (Kubrick é melhor na minha opinião...mas eu gosto mais de Herzog...). Selvagem, muito humano e grande pensador, Werner Herzog destaca-se pelo seu gosto pelo lado romântico. Muitos dos heróis de Herzog são rejeitados da sociedade, pobres coitados, mas sempre pessoas profundas e estranhamente inteligentes...Um grande exemplo disso é Stroszek, a personagem principal de "A Canção de Bruno S", um homem perturbado e excluído, mas estranhamente inteligente. Este filme tem o final mais espectacular de todos os filmes que vi (a galinha que dança!)...Outro filme de Herzog que fala de uma pessoa estranha e afastada é "Grizzly Man" que fala sobre Timothy Treadwell, um activista meio louco que passa o tempo da sua vida isolado com os ursos no Alasca.
Este lado o romântico e a forma extremamente selvagem de fazer cinema fez com que me tornasse grande fã de Herzog que parece defender a minha filosofia: "A melhor forma de aprender é viajar...conhecer...".
Vi cerca de 30 filmes de Herzog...dos 50 que fez....

-Luis Buñuel. Rapidamente se tornará no meu realizador preferido...Louco, anti-religioso, polémico, subversivo e genial..Quando vir mais três ou quatro dos seus filmes vai tornar-se no meu realizador preferido....
Viridiana é genial e tem das imagens mais potentes do cinema....A Coroa de Espinhos a arder...simplesmente maravilhoso...

-Woody Allen. Gosto muito das personagens que Allen cria. Inseguros, mas inteligentes os neuróticos nova-iorquinos de Allen são sempre muito bem humorados...."Annie Hall" é a sua grande obra-prima...

Outros realizadores de que gosto, ainda que conheça uma pequena parte da sua obra:
-Akira Kurosawa ("Os Senhores da Guerra" é o meu segundo filme preferido...)
-Orson Welles (à data só vi "A Sede do Mal" , que é genial...)
-Milos Forman
-Robert Altman
-Roman Polanski
-Alan Parker (que realizou o sublime "Pink Floyd: The Wall", um filme surreal sobre a dimensão humana e o sentimento de falta...)
-François Truffaut
-Alfred Hitchcock (conheço grande parte da obra, percebo por que lhe chamam o grande mestre do cinema, mas não gosto muito dos filmes dele...acho-o sobrevalorizado...)
-Sergio Leone
-João César Monteiro
-Francis Ford Coppola

é raro não gostar de um realizador...mas não vou muito à bola com estes:
-Clint Eastwood (é talentoso à brava, mas os reaccionários não me agradam e o "Clint-Clint-Bang-Bang" é da ala direita...)
-Steven Spielberg (tal como Eastwood é talentoso, mas só vê o verdinho das notas à frente)

Claro que há realizadores que são verdadeiramente maus (=sem talento), mas desses não vou falar...

Os que não conheço...:
Pier Paolo Pasolini
Vittorio deSica
Miklós Jancsó
Chris Marker
Satyajit Ray
Federico Fellini (verei 2 ou 3 em breve...)
Luchino Visconti
Andrei Tarkovsky
Peter Bogdanovich
Manoel de Oliveira
Wim Wenders
Rainer Werner Fassbinder
Jean Cocteau
Andy Warhol
Ingmar Bergman
Jean-Pierre Melville
Carl Dreyer

....

Lista que se prolonga e me embaraça como cinéfilo...
Há muito "trabalho" (do que gosto) para fazer....!

segunda-feira, 31 de maio de 2010

A Arte de Herzog


Um dos cineastas que descobri recentemente e cuja obra mais me intriga e fascina é Werner Herzog. Todos os seus filmes são povoados por imagens magníficas e estranhas metáforas.

Vindo de uma família pobre conseguiu triunfar na vida através de uma série de falcatruas (a sua primeira câmara, aquela que filmou Aguirre, Sinais de Vida, Herakles, entre outros filmes, foi roubada...). A sua desenvoltura é absolutamente louvável.


Quando penso nos seus filmes e nas ideias e pensamentos que neles deixa fico sempre a perguntar-me como pode haver uma pessoa tão parecida comigo. A filosofia que Herzog defende é o desejo de liberdade, uma liberdade maior que todas as coisas. Um sentimento díficil de descrever por palavras que é uma espécie de movimento contra o estado actual da sociedade. Herzog é um génio, mas não é o meu realizador preferido (esse é Kubrick). Herzog é mais um herói romântico que gosto de apreciar.